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    Nossos Deuses São Super-heróis



    Este livro irá mudar a forma de você ver/ler quadrinhos para sempre.

    Título: Nossos Deuses São Super-heróis (Our Gods Wear Spandex)
    Autor: Christopher Knowles
    Editora: Cultrix
    Páginas: 248
    Ano: 2008 
    Resumo oficial: "Com prefácio de Álvaro de Moya e ilustrações de Joseph Michael Linsner, Nossos Deuses são Super-Heróis é uma história secreta peculiar que identifica as raízes esotéricas de diversas histórias em quadrinhos. Este livro explica como os super-heróis vieram ocupar, em nossa sociedade moderna, o papel que os deuses e semideuses representavam para os antigos. Ele traça uma linha entre escolas esotéricas e magos que desempenharam um papel vital no desenvolvimento de fenômenos sociais como os filmes do Batman ou dos X-Men, ou séries de TV como Heroes e Smallville. Aqui, pela primeira vez, o estudioso e autor de quadrinhos Chris Knowles ergue o véu que encobre o intrincado vínculo entre super-heróis e o mundo encantado da magia e do misticismo."


    Com uma quantidade de páginas relativamente pequena para um assunto tão interessante, a leitura acaba sendo rápida e bem fluida. A narrativa (se é que podemos chamar assim) empregada pelo autor é bem didática e simples.

    As ilustrações do Michael Linsner são ótimas e se enquadram perfeitamente com a narrativa e com o texto como um todo.

    O título do livro em si já é bem chamativo "Os Nossos Deuses São Super-Heróis", mas o título original é bem mais chamativo "Our Gods Wear Spandex", que seria numa tradução literal "Nossos Deuses Vestem Lycra". Uma alusão direta e objetiva à premissa do livro.

    A premissa do livro é uma das mais interessante e intrigantes que eu já vi: explicar as origens reais, não apenas do culto, e a gênese (pode parecer redundante, mas não é) dos super-heróis.

    O título do livro seria bem mais apropriado se fosse uma pergunta e que com o decorrer do livro o leitor chegaria a uma simples resposta que seria "Sim".

    O autor esclarece de forma objetiva a história do ramo cultural e industrial relacionado aos quadrinhos e como raízes religiosas e esotéricas influenciaram no sucesso e em muitas vezes no fracasso das histórias em quadrinhos.

    Knowles faz uma extensa  revisão histórica (mais da metade do livro) sobre ocultismo e como ele influenciou os autores de quadrinhos. De modo geral, o ocultismo iniciou de forma rasa e escondida nos primórdios dos pulps e após algum tem tornou-se uma temática recorrente nos mesmos.

    O livro inicia com uma breve explicação de como nossos heróis se tornaram verdadeiros Messias modernos e sua influência e importância para o cinema hollywoodiano. Após a explicação/comparação entre Heróis e Messias, o autor inicia uma revisão sobre os deuses egípcios, gregos bíblicos e nórdicos. Em cada abordagem, Knowles faz suas observações, comparações e como uma religião/divindade pode ter influenciado outra. Talvez para evitar problemas maiores, o autor não aprofunda nesses temas e cita referências para buscas posteriores por parte do leitor.

    Seguindo por um caminho mais alusivo ao cerne do livro (ocultismo), o autor se debruça sobre seitas secretas e a partir dessa parte do livro, Knowles inicia de forma bem clara como as seitas secretas e o ocultismo se expandiram pela Europa e América do Norte, criando verdadeiros ícones do ocultismo e clássicos literários.

    Muito da literatura ocultista foi publicada na forma de pulps (publicações de baixo custo) e muitos escritores de renome (Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle, Jules Verne, H. G. Wells, Bram Stoker, Edgar Rice Burroughs, Sax Rohmer, Lovecraft, Robert E. Howard, Dion Fortune, etc.) são citados por Knowles como ocultistas ou como breve participação no ocultismo (exceto Burroughs, que Kwnoles apenas especula sem conseguir provar sua raiz ocultista). Os pulps serviram como referência e inspiração para aqueles que se tornariam autores de quadrinhos (Lee, Kirby, Siegel, Shuster, Esiner, etc.) ou fundadores e CEOs de editoras.

    De modo geral, os grandes escritores de quadrinhos da era de ouro foram fortemente influenciados pelos contos ocultistas dos pulps e isso fica bem claro quando Knowles explora o posto de "Messias" de alguns personagens, como: Superman, Capitão Marvel e seus "clones", Gavião-Negro e Falcão, Capitão América, etc.

    Superman foi criado por dois jovens judeus, que criaram um personagem baseado em sua crença de que o verdadeiro Messias ainda está por vir. Juntamente, criaram Lex Luthor, um vilão para esse "Messias" que seria uma referência bem clara (e algumas vezes cópia pura) de Aleister Crowley. No caso do Capitão Marvel, sua origem extremamente ocultista e com livre referência aos personagens bíblicos e de outras religiões.

    O livro apresenta diversas curiosidades e para mim uma se destacou: o fanatismo de Elvis Presley pelo Capitão Marvel (Shazam) é tão grande que o cantor resolveu utilizar o traja do super-heróis nos seus shows, mudando apenas a coloração do uniforme.


    O livro apresenta uma extensa revisão sobre as mais diversas religiões, crenças e seitas ocultistas e quando Knowles inicia a dissertar sobre os quadrinhos em si, o livro já está além da metade das páginas.

    De modo geral, o livro é extremamente interessante, porém esclarece muito pouco quanto a história real dos quadrinhos e suas relações diretas comas religiões e cultos. Um ponto muito perceptível é a quase veneração que o autor tem por Jack "The King" Kirby. Sim! Isso mesmo "veneração". Talvez pelo fato dele ter trabalhado em uma revista dedicada ao Kirby ou pelo fato do "Rei" ter sido o autor de quadrinho que mais injetou a temática religiosa/ocultista nos quadrinhos (Novos Deuses, Darkside, Surfista Prateado, Thor, etc).

    Um ponto interessante que o autor destaca é o surgimento do Universo Cinematográfico da Marvel em 2002 e sua relação com os atentados de 11/09/2001 e o aclive de vendas que os quadrinhos tiveram após os atentados, relacionando com a década de 1990 - período de calmaria mundial/americana e péssimas vendas e enredos/desenhos.

    O livro se prende apenas aos quadrinhos americanos e o autor relegou completamente os personagens que qualquer outro país. Um ponto chato no livro foi a tradução porca de alguns nomes de personagens e até mesmo a falta de uniformização, já que um determinado personagem é chamado de três forma diferentes no decorrer do livro.

    Bom, ao término do livro você sente falta de algo mais e facilmente constata que o livro poderia ter mais que o dobro de páginas e o mesmo foi encerrado de forma abrupta e sintética. Este encerramento abrupto e sintético em nada prejudica o livro e faz com o mesmo seja a porta de entrada para uma nova visão e interpretação dos quadrinhos e seus personagens.

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